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UMA REFLEXÃO PROFUNDA SOBRE A IGREJA ATUAL

“O FORTALECIMENTO DAS IGREJAS COMUNITÁRIAS LOCAIS”

Por Anderson Christofoletti


Na minha visão, o maior problema das igrejas comunitárias hoje não é financeiro. É a falta de clareza sobre sua proposta de valor para a comunidade.


Durante décadas, bastava abrir uma igreja, realizar cultos e esperar que as pessoas viessem. A sociedade mudou. As pessoas continuam buscando Deus, mas também procuram pertencimento, acolhimento, orientação para a família, ajuda emocional, desenvolvimento pessoal e impacto social. Muitas igrejas continuam oferecendo apenas um culto semanal.


A igreja comunitária precisa voltar a ser uma comunidade


O grande diferencial de uma igreja comunitária nunca foi o tamanho do templo ou a qualidade da estrutura.


Sempre foi conhecer as pessoas pelo nome.


Visitar quem está doente.


Celebrar aniversários.


Ajudar famílias.


Orar junto.


Criar relacionamentos profundos.


Este é um patrimônio que uma grande organização dificilmente consegue reproduzir em larga escala.


Enquanto algumas igrejas oferecem um excelente “evento”, a igreja comunitária pode oferecer uma excelente “família”.


Isso não é pouco.


É enorme.


O pastor precisa deixar de ser apenas pregador


O pastor comunitário normalmente acumula funções:


* pregador

* conselheiro

* administrador

* zelador

* captador de recursos

* evangelista

* visitador

* professor


Esse modelo tornou-se praticamente insustentável.


A igreja saudável precisa desenvolver liderança compartilhada.


Efésios 4 ensina que os santos devem ser aperfeiçoados para a obra do ministério.


Ou seja, a igreja cresce quando o pastor deixa de fazer tudo e passa a formar pessoas.


Sustentabilidade financeira não é pedir mais ofertas


Grande parte das igrejas pequenas acredita que seu problema é arrecadação.


Na maioria dos casos, o problema é ausência de visão.


Quando a igreja gera valor para sua comunidade, ela passa a receber apoio.


Isso envolve:


* transparência financeira;

* projetos sociais consistentes;

* prestação de contas;

* comunicação clara;

* membros conscientes da missão.


As pessoas dificilmente contribuem para manter um prédio.


Elas contribuem quando enxergam uma missão.


O maior patrimônio são pessoas


Recursos financeiros seguem pessoas comprometidas.


Não o contrário.


Por isso a prioridade deve ser:


* formar discípulos;

* desenvolver líderes;

* capacitar voluntários;

* descobrir dons;

* envolver famílias.


Uma igreja com cinquenta membros ativos vale mais do que outra com duzentos espectadores.


A igreja precisa comunicar melhor


Muitas igrejas excelentes permanecem invisíveis.


Hoje comunicação faz parte do ministério.


Isso inclui:


* presença digital;

* redes sociais;

* WhatsApp;

* vídeos;

* testemunhos;

* identidade visual organizada;

* calendário de atividades.


Não se trata de marketing vazio.


Trata-se de tornar conhecida a obra que Deus está realizando.


Em Mateus 5:16, Jesus ensina: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens…”. Comunicar o bem que a igreja faz pode ser entendido como uma forma de dar visibilidade a essa luz.


O discipulado precisa voltar ao centro


Muitas igrejas investem quase toda sua energia em programações.


O Novo Testamento investe em pessoas.


Quando uma igreja forma discípulos maduros, ela naturalmente:


* evangeliza;

* serve;

* doa;

* lidera;

* multiplica.


O papel social voltou a ser estratégico


Historicamente, a igreja sempre foi relevante porque servia.


Hoje isso continua verdadeiro.


A igreja pode atuar com:


* apoio familiar;

* orientação profissional;

* educação financeira;

* recuperação de dependentes;

* apoio emocional;

* reforço escolar;

* inclusão;

* empreendedorismo;

* atendimento jurídico e contábil voluntário;

* capelania.


Isso aproxima a igreja da comunidade sem descaracterizar sua missão espiritual.


Gestão também é espiritual


Há uma falsa oposição entre espiritualidade e organização.


Na Bíblia, José administrou o Egito.


Neemias administrou uma reconstrução.


Os apóstolos organizaram a distribuição de alimentos.


Paulo estabeleceu presbíteros nas igrejas.


Planejamento não substitui a oração.


Mas oração também não elimina a necessidade de planejamento.


O que vejo como um modelo para a próxima década


Penso que a igreja comunitária precisará reunir sete características:


1. Identidade bíblica sólida.

2. Relacionamentos profundos.

3. Liderança multiplicadora.

4. Boa gestão administrativa e financeira.

5. Comunicação eficiente.

6. Serviço relevante à comunidade.

7. Desenvolvimento integral das pessoas.


Não existe uma fórmula mágica ou um caminho único. Existe a necessidade de fazer um diagnóstico verdadeiro e tomar consciência de onde se está hoje e, a partir daí, aplicar as ações e atitudes corretas a se buscar os resultados desejados.


Aqui é apenas uma reflexão, mas alguma coisa precisa ser feita ou as igrejas locais e comunitárias serão engolidas pelas megas Igrejas estruturadas nos eventos e ambientes de acolhimento profissional.


 
 
 

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